Entrevista com os diretores e produtor executivo de Que Talento!

Por Caio Lage em

Que Talento!Depois do papo com Bruno Martini e Mayra Arduini, do College 11, chegou a hora de publicamos uma entrevista exclusiva com os diretores de Que Talento!, Juliana Vonlanten e Daniel Caselli, e o produtor executivo Flávio Vonlanten. Confira:

 

O que o papel do showrunner traz de novidade e qualidade na produção de uma série?

Flávio: [Foi] um pedido da Juliana que ele tivesse dentro do set, o máximo de tempo possível, para poder auxiliar tanto na realização da obra como ela foi pensada, não perdendo o conceito original, como ela foi escrita pelo André Rodrigues, que é showrunner, roteirista principal e criador da série.

Então ele estava lá para garantir que a série estivesse sendo produzida na forma correta, como ela foi originalmente pensada, e para adequar a situações que aconteciam no dia a dia, nos momentos onde tinha alguma dúvida, onde tinha uma piada que não funcionava, onde tinha que fazer algum acerto, ou às vezes tinha algum problema, tava planejado de uma forma, mas o ator não estava disponível naquele momento, então teve que alterar a cena. Então, coisas do dia a dia ele ia adequando da melhor forma possível.

Juliana: O que é legal é que é uma coisa de mão dupla. Ao mesmo tempo que ele estava lá para resolver coisa em cima da hora, tipo cena que não funciona, a gente não encontra cachorro ou gato, sei lá, qualquer coisa assim. Ele também começou a entender como é que funcionava o set e os roteiros novos já vinham adaptados, seja na maneira dos atores falarem ou interpretarem, como ele também já conhecia o espaço, então ele explorava mais.

 

A série foi desenvolvida especialmente para o College 11 ou foi uma escalação tardia, com a história já pronta?

Flávio: O College 11 já é um talento da Disney, na forma como eles tratam um talento da Disney, já tem alguns anos. A gente sabia dessa demanda e criamos um conceito onde eles pudessem ser inseridos. Era uma vontade da Disney de ter o College 11 para poder promover a banda, como eles fazem em outros formatos, em outras séries, nos Estados Unidos fazem bastante isso. Então o objetivo era fazer uma série nacional, porque tem a questão de cumprir a cota da Lei 12.485.

A gente viu nisso uma oportunidade e inclui no roteiro como atores principais, eles tem um papel fundamental, eles dois junto com o Gabriel Calamari, que faz o Champ, são os três protagonistas junto com os demais. No total de protagonistas são dez, mas eles são os três principais.

 

Como ocorreu a escolha do restante do elenco?

Daniel: Então, Caio, foi um processo bem longo. Assim, a gente teve um cuidado de buscar uma produtora de casting bem bacana, que fez uma pesquisa enorme. Fizemos muitos testes de VT, com todo mundo junto pra ver se um funciona com o outro, tanto em foto como vídeo, quanto voz e tamanho. Então foram uns 6 meses de teste e reteste, colocando todo mundo junto e vendo se eles funcionam. Depois nós tivemos um tempinho de preparação junto com nosso coach de atores, que também era um momento de sentir eles e ter certeza que todos eles estavam certos, que eles estavam se desenvolvendo e que iam funcionar como um grupo.

Acho que nesse tipo de trabalho, ainda mais infantojuvenil, o grupo e o entrosamento entre eles é fundamental. Por isso que a gente conseguiu atingir com esses seis meses de casting.

 

Como foi a química do elenco?

Daniel: A química é tudo, molecada é grupo. E eles são um grupo bem bacana, acho que isso a gente conseguiu atingir. E no começo eles eram um ótimo grupo, mas no final eles eram um grupo inseparável.

Juliana: Eles viraram amigos de verdade. Porque eles não se conheciam antes, eles foram apresentados durante o processo. A gente focou muito mais na relação entre eles e nos sentimentos dos personagens, do que decorar texto. Porque uma vez que a eles entrevam na brincadeira e já identificaram, entenderam seus personagens, o texto era um detalhe.

Entrevista com os diretores e produtor executivo de Que Talento!

Houve muito improviso?

Juliana: Bastante improviso. Vou te falar sinceramente, fluiu tão natural, que não sei pontuar onde estava improvisado ou era texto. Realmente pegaram o roteiro e transformaram neles, botaram na boca deles.

Daniel: O objetivo um pouco foi esse. A medida que eles foram se desenvolvendo, meses foram passando, de produção, eles foram se transformando de fato nos personagens cada vez mais. Eles já propunham até como que aquele texto cabia melhor na boca deles, tanto em termos de caco, como mexer um pouco na cena com a gente. Aí o showrunner entra forte, que é aqui podemos ir, aqui é melhor não, vamos mudar essa cena ou não vamos.

Juliana: Ao mesmo tempo ele aproveitou que os meninos transformaram, algumas coisas que os meninos criaram, como gíria pessoal do personagem. O showrunner começou a escrever nos próximos roteiros. Então rolou essa química geral, na verdade, a gente, o elenco e o André, que é o roteirista e showrunner.

Daniel: Você vai ver que tem um fato interessante, que mais pra frente, até como o linguajar ficou muito específico de cada um, eles até brincam entre si no próprio episódio, com os maneirismos de cada um. Isso é o bacana do showrunner estar ali, dos meninos criarem seus próprios personagens. É uma constante criação, do roteiro, da direção, dos atores e da montagem.

Caio (ANMTV): Uma série travada não é muito legal.

Daniel: Exatamente, isso que é o bacana. Vai sentir que é a linguagem das pessoas mesmo, nem só dos principais, os próprios [atores dos] personagens coadjuvante propunham a melhor forma de falar. Eles são mais jovens, então as vezes eles olham para o roteiro e falam “eu não falaria isso dessa forma”.

Lembro do miguxo, então eles “por que ao invés da gente falar essa palavra, a gente não traz uma palavra que a galera de 16, 17 e 18 anos está falando agora”. E a gente estava super aberto.

Juliana: E foi legal porque essa coisa dos coadjuvantes foram entrando e alguns tinham pra participar de um episódio, e entrava na química e na vibe, ficava assim, o roteirista traria de novo porque funcionou. Tem uma coisa que o André sempre fala, acabou que essa série só abre porta, não fechou porta pra nenhum personagem.

 

Quando a série foi idealizada?

Flávio: Isso tem uns dois anos, desde que a gente teve as primeiras conversas, colocando a ideia pra Disney. Aí passou por todo um crivo analítico deles, no escritório aqui do Brasil e no escritório regional, pra garantir que aquilo tenha o formato Disney. Então esse foi um processo entre o início das conversas, negociação, forma de financiamento, tempo pra viabilizar toda essa estrutura e inicio de produção, foram quase uns dois anos.

 

Foi Cinefilm que entrou em contato com a Disney apresentando o formato?

Flávio: A gente já tem um histórico, a Juliana foi diretora do Quando Toca o Sino, que foi a primeira série nacional da Disney, mas ela não era uma coprodução, Que Talento! é a primeira coprodução do canal com um uma produtora local, e ela foi diretora e dirigia muito da parte de promos, de interdiction, que são como eles chamam os conteúdos que falam do canal nos break, como Disney Planet e Disney XD Xtra.

A gente já conhecia as pessoas, e a Juliana já tem a experiência de quase uns dez anos no canal. Então nisso a gente já tinha uma porta aberta e contatos estabelecidos, o que facilitou muito, principalmente pela confiança de que a Juliana tem esse conhecimento no que o canal necessita e o que o canal demanda. E o André Rodrigues escrevia pro Zapping Zone, e era o roteirista de Quando Toca o Sino.

 

Toda a primeira temporada já está gravada? Há quanto tempo estão acontecendo as gravações?

Flávio: A gente já está com toda a primeira e segunda temporada gravadas. São duas temporadas de 13 episódios. Atualmente a gente está aqui no processo de finalização dos primeiros episódios, que já tem vários prontos, e estamos seguindo no processo de edição pra finalizar o total de 26 episódios em das temporadas. Aí vai depender da estratégia do canal de como colocar isso no ar. A primeira temporada entre agora no dia 24, aí a estratégia de colocação, reprises dos episódios vai ser toda do canal, até porque eles são dos distribuidores. Aí quando vai entrar a segunda temporada, só mais pra frente que vai ser definido.

 

A ambientação e as histórias foram criadas com parâmetros universais para que a série seja bem aceita internacionalmente, aproveitando que as músicas do College 11 são em inglês?

Flávio: Existe essa preocupação e também uma preocupação que tivesse um adaptação a nossa realidade. A gente não podia nem colocar nada muito diferente, fora do contexto do canal, mas também a gente não queria e era um pedido da Disney para que tivessem elementos de Brasil, que percebesse que a série se passa no Brasil, especificamente neste caso em São Paulo.

Nos detalhes dá para perceber, logicamente que não em primeiro plano, porque são os detalhes de cozinha, da casa, das cores, móveis, isso foi tudo pensado para dar um casa de casa brasileira.

O que foi mais cara de brasileiro na série?

Juliana: O elenco inteiro é brasileiro, o gingado e o jeito. O Champ é um personagem super brasileiro, apesar de lembrar daquela malícia paulista, ele é super carioca, tem bem esse gingado brasileiro. Agora de elementos pela casa, tem fuxicos, as almofadas são de fuxico.

Daniel: O brasileiro é bem diverso se for pensar em cultura, arquitetura e arte. Em termos de arte, você vai achar o fuxico que a Juliana falou, azulejo hidráulico, muita cor, amarelo, verde, azul, ambientes bem coloridos. A gente achou uma cor dentro da Disney que tivesse uma cara mais brasileira, você vai ver que tem muitos livros que são brasileiros.

Juliana: Tem um episódio que bolinho de chuva, isso é super brasileiro. Tem um outro que é da rapadura.

Daniel: Eu acho que as piadas são muito brasileiras, o jeito de dar texto, os personagens são muito brasileiros, boa parte do figurino é bem brasileiro. Tem um desafio nesse programa da Disney que é que não pode assustas as pessoas, elas estão acostumadas a um tipo de programação, um tipo de série, e a gente tem que pegar e abrasileirar a medida que ela vai andando. Acho que a gente achou uma medida boa entre como é a Disney e a cara do brasileiro, tanto em figurino, arte e cast.

Juliana: E tem uma coisa que a gente discutiu muito, que é como o estrangeiro vê o Brasil e como é que brasileiro vê o Brasil. Então é uma coisa que a gente limitou também, senão começa a querer a botar aquela coisa muito, como cocar de índio, araras, e coisas assim.

A gente, muitos gostem ou não, sofremos uma enorme influência americana. Então acho que essa mistura está ali nos episódios.
Daniel: E a garagem dos meninos, é uma garagem muito bacana, que é repleta de brinquedos e objetos que são bem brasileiros. Então se você olhar no fundo, você vai identificar muita coisa da infância de agora e dos pais que eles pegaram.

 

Já estão planejadas novas temporadas de Que Talento?

Flávio: A Disney não vai investir num projeto que ela não pense em expandir e gravar novas temporadas. Porém, isso tudo vai depender do retorno que tiver de público, retorno de mídia, a analise do produto em si.

Então a gente está bastante esperançoso de fazer uma terceira temporada e quarta temporada muito em breve, mas ainda não temos nada definido.

 

O que o público pode esperar de Que Talento?

Daniel: Eu acho que o público pode esperar uma produção de muita qualidade, histórias muito bacanas. Ela é uma história universal que todo adolescente e jovem vai adorar, está dentro do universo deles. A gente vai falar de internet, de história de amor, tem piadas, é bem histórias de um grupo de adolescentes.

Então acho que eles podem esperar uma produção brasileira com qualidade internacional e que tem tudo pra continuar.

Juliana: Eu acho que eles vão se identificar em cada um dos personagens.

Daniel: A gente vê que cada pessoa acaba gostando de um personagem, como qualquer série, defendendo mais o outro, um gosta do antagonista, outro do protagonista, do cara que hipnotiza, do que dá um jeitinho de resolver as coisas, então tem um pouco de cada tipo do jovem brasileiro em cada personagem. Isso é bem bacana.

Juliana: Eu acho que a gente misturou um pouco o ritmo de sitcom com um toquezinho de novela, para também ter uma coisa mais familiar com o que o público está acostumado. Eu acho que o pessoal vai se surpreender.

Daniel: Eu confesso que espero que as crianças e jovens quando tiverem seus 20, 25, 30 e 35 anos um dia com os amigos deles, eles lembrem dessa série com uma certa nostalgia. Acho que isso vai acontecer, vai marcar a vida de algumas pessoas.

Juliana: Está marcando a nossa.

 

Que Talento! estreia hoje, 24 de maio, às 19h30, no Disney Channel. Seus episódios serão exibidos pelo canal todos os sábados e domingos, no mesmo horário. A série também irá ao ar pelo Disney XD, todos os fins de semana, às 20h30, a partir do dia 31.

Comentários
  • Camila

    A série ficou com bem com cara Disney :)

    E o Bruno se saiu bem melhor do que eu esperava, evoluiu demais!

  • um fulano ai

    Ó gente na minha opiniao a serie é perfeita de mais pra acreditar que é brasileira!PARABENS SERIO MESMO!

  • Badb

    Please chega logo dia 30 de junho todos queremos ver as antiga series uns já começaram como jake long o dragão ocidental as aventuras de brandy e senhor bigodes agora só espera as Series como lilo e stitch , ” Hannah Montana ” , Sunny entre as estrelas , as visões da raven , cory na casa branca Pfvr Disney volte logo Status : esperando 30 de Junho e julho :3 lembrando que acaba dia 25 de julho alguns series

  • Mariana

    Que legal a opinião dos produtores. <3 Fizeram um belo trabalho com a entrevista!